domingo, 5 de agosto de 2018

Planos de Saúde:A Bola da Vez !


Planos de Saúde : a bola da vez !

Os meios de comunicação divulgaram recentemente reclamações generalizadas contra os planos de saúde. Pesquisa da Associação Paulista de Medicina constatou que 96% dos usuários de planos de saúde do estado de São Paulo tiveram dificuldade para usar o serviço. Demora em marcar consultas e exames, longa espera em pronto atendimento, falta de hospitais para a internação, demora para a aprovação de cirurgias são as principais queixas.
A divulgação dessa pesquisa coincide com uma discussão sobre os índices de aumento dos planos e até a atuação da ANS Agência Nacional de Saúde foi questionada pela Ministra Carmen Lúcia, ao propor controle mais adequados às regras de coparticipação nos planos de saúde. Ficou tão confusa a proposta da ANS referente ao limite da coparticipação e franquia que a mesma foi retirada.
O diálogo entre o Sistema de Saúde Suplementar e a comunidade, sempre foi enviesado e nem todas informações chegam a população. A diferença entre os índices de inflação geral e a inflação saúde, por exemplo, no último ano foi de mais de 100%: enquanto o IPCA apontava para uma taxa de 6,28% a inflação saúde, no mesmo período era 12,8%. A culpa não é do aumento dos planos de saúde, mas sim do aumento do custo dos insumos e utilização dos recursos de saúde existentes para oferecer ao beneficiário.
Envelhecimento da população associado à longevidade, surgimento de novas tecnologias e medicamentos, judicialização do setor, estes e outros fatores fazem crescer estes custos sem que a receita das operadoras e das cooperativas médicas aumentem proporcionalmente. A análise contábil das Cooperativas médicas demonstrará que não há margem de lucro ou quando existem são exíguas, não ultrapassando 1 ou 2 %; justifica-se a existência das mesmas para oferecer mercado de trabalho aos profissionais da área.
É preciso desmistificar que as operadoras e as Cooperativas médicas tenham altos ganhos com o sistema e que a ANS – Agência Nacional de Saúde faz o jogo das cooperativas médicas: ao contrário: disciplina com rigor um setor que é altamente conturbado. O atendimento à saúde no Brasil é peculiar: aportes públicos são menores do que os da iniciativa privada, ainda que os primeiros se prestem a atender toda a população e os segundos se destinem a arcar com as despesas dos participantes dos planos privados, que atendem cerca de 50 milhões de pessoas.
Em 2013, as despesas totais do Brasil com saúde foram de R$ 450 bilhões, ou 9,2% do PIB. “Entre as dez maiores economias do mundo, só no Brasil a despesa privada é maior que a pública”, observa Francisco Balestrin, presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). Do gasto total do país com a demanda, 44% vieram da saúde pública e 56% do setor privado — este último composto pelos gastos com saúde suplementar e também consultas, exames, pequenos procedimentos e medicamentos pagos pelo cidadão. Já a despesa per capita com a saúde é bem maior no setor privado que público: R$ 2.189 ante R$ 980 (Anahp).
Os resultados obtidos pela pesquisa não podem ser extrapolados para todo o Pais; instituições idôneas revelam acima de 90 % de satisfação em relação ao plano de saúde em nossa região e em outras. Planos de saúde, beneficiários e a ANS têm uma relação complicada: a agência inclui sempre novos procedimentos no rol dos planos de saúde; o valor pago pelo beneficiário, muitas vezes é fixo; os pacientes ficam com um crédito para usar o plano; se os ajustes não forem proporcionais à essas demandas e não existirem mecanismos de regulação , como é o caso da coparticipação, o sistema entrará rapidamente em falência o que já vêm ocorrendo em algumas praças. Aí a população deverá contar apenas com o atendimento do SUS.É uma opção viável?

Omar G Taha
Médico, 59 anos, presidente da Unimed Londrina, MBA em gestão em saúde pela FGV; especialização em Saúde Pública pela FIOCRUZ e pelo CHA – Cambridge Healthcare Alliance , MA

terça-feira, 12 de maio de 2015

As causas do Alto Custo da Saúde

O modelo de assistência à saúde baseado em exames e internações foi debatido na mesa redonda sobre o aumento dos custos e o futuro da saúde privada, realizada nesta segunda (11), no 2º Forum a Saúde do Brasil, promovido pela Folha, mediado pela repórter especial Cláudia Collucci.

A cultura de realizar mais procedimentos para ter mais lucros e a crença de que a melhor forma de cuidar da saúde é usar a tecnologia foram apontados como causas importantes do alto custo da saúde no Brasil por Martha Regina de Oliveira, diretora-presidente substituta da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

"É preciso repensar o que significa resultado em saúde. Não é só a quantidade de procedimentos realizados", disse Oliveira.

Como exemplo, ela diz que, enquanto em países da Europa e América do Norte são realizados 40 exames de ressonância a cada mil pessoas por ano, no Brasil este número sobe para 80.

"É o dobro. Se pelo menos a gente tivesse os mesmos resultados em saúde, eu já estaria feliz."
Para Francisco Balestrin, presidente do conselho de administração da Anahp (Associação Nacional dos Hospitais Privados), apontar este ou aquele setor da cadeia de serviços de saúde como causa do problema não leva a lugar nenhum.

Balestrin afirma que é preciso mudar o modelo de gestão com ações como a criação de redes, a partir de instituições hospitalares, que incluam desde assistência primária até os serviços de tecnologia. A reunião de diferentes instituições para a compra conjunta de medicamentos, diminuindo seu custo, foi outro exemplo de novas formas para gerir serviços de saúde citadas por Balestrin.

"O desperdício da verba para a saúde não é causado só pela corrupção", disse Balestrin, referindo-se à primeira mesa do fórum, em que Pedro Ramos, diretor da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), citou a máfia das próteses durante o debate.

O envelhecimento da população, o aumento de doenças degenerativas e a crise macroeconômica foram citados pelo representante dos hospitais privados, ao afirmar que os custos das instituições hospitalares tiveram um aumento de 13%.

Esse panorama deve ser encarado com um tipo de assistência em saúde que Eudes Aquino, presidente da Unimed Brasil, chama de "horizontalizada", baseada em promoção de saúde, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação.

Ele também defendeu as parcerias público-privadas como um dos caminhos para melhorar o atendimento à saúde. "A medicina privada não pode ser o muro das lamentações do insucesso do plano de saúde nacional".

Os três participantes da mesa apontaram as parcerias como um caminho para o futuro da medicina privada.

"Nós do setor privado, sob a liderança ou com a colaboração da ANS, precisamos buscar ações estruturais para criar um novo modelo de gestão", disse Balestrin. 

Fonte: Folha de São Paulo/ 12.05.2015