sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ver Por Dentro


Um dos mitos mais arraigados da humanidade é a capacidade de visualizar por dentro o corpo humano. Desde os primórdios da medicina são utilizadas técnicas que procuram verificar o estado dos órgãos humanos internamente. Provavelmente uma das descobertas mais importantes neste sentido foi feita por Wilhelm Roentgen no dia 8 de novembro de 1895 que descobriu a capacidade dos raios X de atravessar um órgão humano, no caso a mão de sua esposa, impressionar uma chapa e, após revelação, criar a primeira radiografia.

Essa descoberta foi tão importante que alterou decisivamente os rumos da medicina ocidental. Surgiram diversos outros métodos de “enxergar” por dentro, que foram denominados métodos de diagnóstico por imagem. A tomografia computadorizada, a mamografia, a densitometria óssea e até os métodos que não se utilizam de radiação ionizante como é caso dos raios x, também foram incluídos na categoria dos métodos de diagnóstico por imagem. É o caso da ultrassonografia, da ressonância magnética dentre outros.

O desenvolvimento dos métodos de diagnóstico por imagem reduziram drasticamente os procedimentos cirúrgicos e interferiram decisivamente nos diversos métodos terapêuticos.Praticamente todos os sistemas do corpo humano, desde o sistema nervoso até o tecido ósseo podem ser avaliados tanto sob o ponto de vista anatômico como sob aspectos funcionais através destes métodos.Doenças anteriormente nunca detectadas passaram a ter seu diagnóstico realizado com relativa facilidade, como os tumores cranianos, os acidentes vasculares, processos inflamatórios em regiões de difícil acesso do organismo como as regiões intra-ósseas.

Atualmente esta área evoluiu tanto que existem aparelhos capazes de avaliar os tecidos sob o ponto de vista molecular demonstrando inclusive quais os tipos de elementos químicos que estão alterados naquela região e qual a tradução disso em termos de doenças. A esquizofrenia, por exemplo, pode ser avaliada hoje através da ressonância magnética e existem trabalhos que demonstram alterações de elementos bioquímicos em determinadas regiões cerebrais que estão relacionadas à esse tipo de doença e sua evolução.

O ultra-som 3 D,outro exemplo, utiliza-se das técnicas de reconstrução de imagens e “renderização” (reconstrução volumétrica) para verificar a existência de malformações fetais em praticamente toda a gravidez. O mais importante na ótica dos radiologistas para que esses exames sejam efetivamente úteis é de que eles sejam bem indicados: um clinico, um cirurgião, um obstetra devem utilizar esses métodos quando houver uma indicação precisa, o que nem sempre acontece.

Como esses exames incorporam vários tipos de tecnologia acabam tendo um custo relativamente alto e por isso mesmo, podem onerar o sistema de saúde pública e suplementar.Outro dado importante é de que o surgimento de novas modalidades em imagem não invalida a importância das anteriores. Por exemplo: o surgimento da tomografia computadorizada não eliminou a necessidade do raio x convencional assim como a ressonância magnética não fez desaparecer a necessidades de exames com tomografia e ultra-som.Estes custos vão sendo incorporados de forma cumulativa nos sistemas mencionados

Outro problema é a dificuldade de acesso que as pessoas têm a esse tipo de exame pelo sistema de saúde pública o que acaba gerando uma angústia e uma dificuldade diagnóstica já que muitas vezes os mesmos são necessários para definir um tratamento ou uma conduta médica. Daí a importância de que os métodos de diagnóstico por imagem sejam utilizados com critério: para atingir efetivamente os objetivos desejados e para que mais pessoas tenham acesso às este tipo de tecnologia.

*Omar Taha é médico radiologista, diretor do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Associação Médica de Londrina

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Política de Comunicação para o CBR

O Colégio Brasileiro de Radiologia, representante máximo da atividade médica radiológica no País, vêm desenvolvendo um esforço grande no sentido de estabelecer um vínculo com a base de associados. O lançamento de um novo site , com um novo "lay out", novas formas de interatividade, aliado ao lançamento de um novo newsletter significa um grande avanço nesse sentido.SÃo ferramentas eletrônicas poderosas de comunicação e a sua utilização adequada certamente facilitará a comunicação da Diretoria com os associados.

Paralelamente o CBR lançou uma Campanha de Valorização Profissional que não obteve grande adesão até o momento ficando limitada divulgação de folders e algumas reuniões em localidades específicas.

Essas ações, aliadas àquelas que já eram desenvolvidas normalmente pelo CBR como a edição do Boletim Mensal e a revista da Radiologia Brasileira, participação de membros da diretoria em praticamente todos eventos dão uma dimensão clara do interesse da atual diretoria em reativar esses canais de comunicação e possibilitar uma comunicação mais adequada.

Entretanto a impressão que se têm é que todo esse esforço não vêm obtendo o resultado esperado em termos de retorno para a instituição. E é óbvio que a Diretoria não pode e nem quer assumir uma posição de "fizemos nosso trabalho, agora os radiologistas que se virem".

Talvez o que seja necessário nesse momento, antes até de levar em frente algumas dessas ações, como a Campanha de Valorização Profissional, seja estabelecer e executar uma Política de Comunicação corporativa para o CBR com parâmetros a serem seguidos por todas instâncias , todos veículos dentro de uma mesma linha de atuação.

Não é um processo simples! A implantação de uma nova Política de Comunicação Corporativa requer envolvimento de diretores,colaboradores, associados, patrocinadores, praticamente todos devem estar envolvidos.
Requer também um Projeto Consistente que seja apoiado por todas instâncias do CBR e que permita um reposicionamento da entidade perante a comunidade de profissionais e a sociedade como um todo.

No entanto ela é necessária para que as ações do CBR sejam cada vez mais consistentes no sentido de agregar os associadosc dentro de propostas unicas, aglutinadoras que possibilitem atingir os objetivos comuns a todos: melhoria nas condições de trabalho e remuneração digna do médico radiologista.

(Para ler algo interessante sobre Política da Comunicação veja aqui:
http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2008/08/07/imprensa266.shtml )